Um partido para os tempos que aí venhem, os do decrescimento


Segunda, 03 Outubro 2011 07:47

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Por Alexandre Banhos Campo

O domingo dia 25 de setembro, fum convidado a assistir em Ourense, nos locais da que fora Coalizão Galega, à assembleia do Partido da Terra.

É meu costume, assistir a eventos aos que sou convidado- sempre que fisicamente me for possível- e como de esta vez podia, ali esteve eu na assembleia, calado, sem mexer-me, mentres tomava notas.

Eu destes convites, destas assistências ao acaso, gosto muito, e mais quando ali se achava uma boa manda de amigos e amigas. Mas gosto, além disso, pois por toda parte apreendes cousas novas, descobres novas pessoas e entendes e sabes mais de esta maravilhosa terra, que às vezes tanto nos dói, que é a nossa Galiza.

Além disso, estava encantado, começando polo nome do partido: Partido da Terra. Palavra da que como apontam os dicionários Estraviz e Houaiss, para os galegos e galegas e lusófonos todos, Terra significa, além doutras cousas, Pátria. E aqui temos um partido da Pátria que vai logo apreender-nos que quer uma pátria, livre e farturenta, e que sendo ela, esteja como tal no mundo.

A assembleia do PT centrou-se no apuramento do que são as suas Bases partidárias, de cara a saltarem a arena política.

Aquilo era um maravilhoso brainstorming, onde, a pluralidade e diversidade interna resultava ela própria profundamente integradora. Um podia acreditar olhando-os, escuitando-os, que na Galiza existe uma grande energia capaz de mover montanhas e alcançar metas, que uma vez bem pensadas, possam vir a serem, com certidão, realidades certas. As pessoas do PT quê lá estavam, acreditavam na sua própria força e tinham confiança no nosso povo.

Muito brainstorming ainda vai ter que fazer o PT, uma vez bem apuradas as suas Bases-guieiro, pois a isso há que lhe achegar muito Know-how, dum jeito que tem que ser verdadeira ciência de como ajudar as pessoas, o país, a caminharmos todos por os carreiros do sucesso, e assim chegarmos todos, pessoas e gente, às metas necessárias e imprescindíveis.

O PT não é um partido nacionalista

O primeiro que apreendim, é que o PT, não é um partido nacionalista galego. Muito me alegrei de o saber. Na Galiza avonda o regionalismo seródio e bem balizado polo estado, e que anda vendendo-se como “nacionalista galego” e até defendendo a “normalização” da língua de seu, subserviente do castelhano e paralela exata dele. Mas se a língua própria é dependente, automaticamente o castelhano é que é a língua verdadeiramente nacional e como tal a norma de correção das formas subservientes. Cousas assim fazem que o discurso do sentimento do próprio choque com a realidade no desleixo no conhecimento e manejo da língua, dum jeito que nenhum se permitiria em castelhano. Ah... quanto nos ia poder explicar um simples jota.

O partido da Terra é um partido nacional, quer dizer, um partido absolutamente normal, com a mesma normalidade dos partidos nacionais de qualquer estado. Mas polo feito e jeito no que estamos no mundo, a alguns choca, pois o público está treinado na nossa (a)normalidade.  Na Galiza a imensa maioria da sociedade só percebe como tais nacionais – pois as instituições e os meios bem que os empaparam nisso-, os partidos estatalizadores (do estado espanhol) ou que contribuem a conformar esse estado.

O PT, como partido nacional, achei-no inserido no que de melhor há na velha tradição galeguista, centrado nas suas propostas e com um grande coração que o guia todo. Coração, que como todo coração fica onde corresponde, um pouco para a esquerda.

O PT é um partido nacional, que pensa a Galiza como povo normal. Que quer fazer na Galiza política de estado, e por isso é radicalmente contrário a qualquer tipo de política estatal das que se fazem na Galiza, pois além das boas intenções, as políticas de estado no estado espanhol –forem progressistas ou não-, som sempre nacionalizadoras desse estado, reforçadoras desse estado e do nosso balizamento nas coordenadas estatais.

O Partido da Terra, como partido nacional quer que na Galiza se reforce todo quanto possível à sociedade civil, que ela crie de abaixo para cima, os mecanismos, as instituições, os jeitos de agir, a autoconfiança nas nossas forças; que isso projete uma verdadeira nação e desde as suas próprias coordenadas.

O Partido da Terra, na sua luita e ação, não vai pôr chatas a se entender pragmaticamente, com quem quer que for, se também anda nalguma medida, nas mesmas cousas ou é do interesse do nosso povo.

Como é óbvio, todo isso devidamente inserido no mundo internacional ao que pertencemos.
Penso que como galegos e galegas nunca devemos esquecer as palavras do grande historiador português Alexandre Herculano numa entrevista no jornal 1º de Janeiro do Porto, lá, começando o último quartel do século XIX “Sem a Gallaecia Portugal não houvesse existido. Portugal não é mais que a criação do génio galego[1]”.

E que seria da nossa língua sem esse porto esse abrigo dos galegos?, - pois isso é o que significa etimologicamente a palavra Portugal-.

Essa criação do nosso génio levou a língua polos quatro cantos do mundo e converteu-na em Internacional, o que a nós, dar-nos-á uns alicerces, que são força e riqueza... Que galego ou galega ao entenderem isto, vai querer que o continuassem a roubar?

Se na Galiza não se concordar com isso, isso significaria infelizmente que não vai ser possível conceber um espaço nacional desbalizado do espaço hispânico.

Para o PT o de serem um partido nacional, declaração enfaticamente afirmada na Assembleia, dá lugar a estarem nas Bases programáticas as seguintes afirmações sobre que é o que o PT quer: Soberania nacional. Soberania Cultural. Soberania cidadã.

O PT é um partido ambientalista

Alguém pode pensar que se trata de mais um partido verde, montagens não poças vezes de quem anda noutros roteiros; mas não, o ambientalismo é o nervo que percorre todas as Bases do PT, é algo profundamente incutido nos seus genes, é dá-lhe o seu peculiar jeito de se enfrentar às cousas e de redigir o seu programa.

O ambientalismo é o fio condutor de algum dos protocolos que com outras entidades políticas lusófonas já tem estabelecido na sua curta vida. O PT não concebe a Galiza como espaço encerrado, nem eles sem estarem bem abertos ao mundo.

Olhando o seu ambientalismo, é onde eu percebo que o PT é o partido agora necessário, pois o seu ambientalismo vai muito ligado à sustentabilidade e a existência de limites nos recursos de que dispomos.

É um Partido para fazer uma Galiza viável, muito bem viável, no mundo post-capitalista ao que nos imos enfrentar daqui a nada, um mundo que já está aí, e do que falava eu no artigo “O novo comportamento do capital, já começou o decrescimento”.

O PT quer que as cousas andem por um caminho onde as pessoas e os povos não sejam subalternizados e reduzidas a um novo jeito de servidão. Como alternativa o PT aparece no momento certo e com ideias e propostas para as que a sociedade ainda não se tinha preparado, o qual para a Galiza, para todos nós, é uma sorte e uma bênção.

Isto percorre, como característica genética que é, todas as Bases-guieiro, mas é o cerne das ideias força das Bases: Soberania alimentar e energética. Soberania social. Soberania económica.

Para muitas das propostas, fazer-se necessário há, o seu aprimoramento e do como é que se vão levar a fim. É um grande desafio o que se apresenta ante os homens e mulheres do Partido da Terra, mas também somos muitos e muitas os que os estamos a olhar cheios de interesse, aguardando que o Partido se converta no sucesso que aqui e agora a Galiza necessita, e que contribuam a serem parte do fermento que juntando com generosidade pessoas e organizações vai fazer que os galegos e galegas tiremos do forno o grande pão farturento dum outro futuro bem distinto do que paira agora sobre as nossas cabeças.

Tive que abandonar a Assembleia antes do seu remata. Depois de eu me ir, foi eleita a nova direção, o Conselho Executivo do PT –máximo órgão de funcionamento ordinário do partido- que resultou composto por: Xico Paradelo (na Presidência), Iolanda Rodrigues Aldrei (na Vice-presidência) Joám Evans Pim (na Secretaria Geral), Óscar Crespo Argibay (na Vice-secretaria), José Manuel Nunes Vilar, Marcos Celeiro Carvalho, André Pena Granha, José Manuel Barbosa e Ernesto Vásquez Souza (todos eles como vogais).

Todos eles são pessoas muito conhecidas na Galiza, todos eles tem contributos muito importantes a história nossa desbalizada que se tenta fazer todos os dias.

Xico Paradelo o presidente, pedagogo, desenhador de B.D. e humorista... acho que mais venturosa combinação não ia poder-se dar. Parabéns aos eleitos e muito sucesso no seu trabalho do dia a dia.

 

NOTA A RODAPÉ

[1] Citada por António Sérgio em “Interpretação da História de Portugal”, edição de clássicos Sá da Costa.