Partido da Terra apresenta proposta de “soberania e sustentabilidade linguística”

Seu programa político estará disponível para o debate público até 21 de março numa plataforma colaborativa digital

Sexta, 20 Janeiro 2012 16:08

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PT – O Partido da Terra apresentará em sociedade a sua proposta política este sábado 21 de janeiro. O ato, que terá lugar na Biblioteca Pública Ângelo Casal de Santiago de Compostela de 10h00 a 11h30, correrá a cargo do Conselho Executivo e da Comissão Redatora do PT e contará com a participação de representantes de diversas entidades do associativismo ambiental, cultural e linguístico. No mesmo ato será apresentada a plataforma colaborativa digital PT 2.0.

Esta semana o Partido da Terra lançou à rede o seu programa político, incluindo uma proposta de “soberania e sustentabilidade linguística”. A proposta, cuja apresentação de lançamento foi marcada para o sábado 21 em Compostela, critica o modelo de “normalização linguística” aplicado na Galiza nos últimos trinta anos sob a égide da suposta proteção legal do galego polo Estado. Ao acreditar que seria mais facilmente aceitável “um padrão de língua culta que fosse reflexo do espanhol” estabeleceu-se como norma uma simples “cópia da língua do Estado”.

Desde o Partido da Terra denunciam que “a única ‘normalização’ em andamento, a do castelhano, introduzido há mais de cinco séculos e cuja imposição se efetivou por um aparato estatal cada vez mais desenvolvido, avança hoje ao melhor ritmo da sua história devido, precisamente, a que a presença do Estado é quase omnímoda e, portanto, também os seus instrumentos.” A atual rede de instituições e “sistema cultural galego” anexo que pretensamente elaboram a nossa língua e promovem a sua utilização consiste, no melhor dos casos, numa colaboração involuntária à política de uniformidade cultural e linguística; no dia-a-dia, na legitimação da substituição linguística e da perda de utilidade da língua devida à procurada separação do resto do espaço lusófono; e, no pior dos casos, a um conjunto de beneficiários agradecidos de despesas públicas, cientes participantes da política de propaganda do Estado destinada a fazer pensar que está a trabalhar para “salvar a língua” das Galegas e Galegos.

A realidade presente é que o Estado mantém em vigor e a cada vez um maior número de normas jurídicas que obrigam ao conhecimento e utilização do castelhano nas mais diversas atividades sociais, a começar pelo dever de conhecimento do castelhano fixado constitucionalmente com independência da língua própria existente em cada território; um modelo supremacista antitético ao de convivência e respeito mútuo de que se dota a Confederação Helvética, para citar um exemplo.

Frente a esta realidade, a proposta do Partido da Terra, parte do reconhecimento pleno do galego como tal: língua extensa e útil, língua aberta ao mundo e a uma vasta riqueza geográfica e histórica. Por isso, optam polo Acordo Ortográfico, adotado em 1990 com a participação de uma delegação de observadores da Galiza, “que nos insere no espaço linguístico que nos é natural, reconhecendo que a língua que se conhece internacionalmente como português, como todos os idiomas extensos, tem múltiplas variantes, uma das quais é o idioma próprio da Galiza.” Coerentemente, o PT considera sinónimas denominações como galego ou português da Galiza, como válidas seriam as formas galego do Brasil ou galego de Angola. A língua originária da Galiza, cuidada durante séculos no seio do mundo tradicional galego, está chamada a recuperar o seu papel em todos os âmbitos e especialmente no de língua internacional, fundamento, até o de agora negado, da sua sustentabilidade e plena restauração social.

Desde o PT assume-se também que “a dispersão planetária da diáspora galega, bem como o potencial internacional da nossa língua, da pertença ao espaço atlântico e europeu, dos vínculos históricos e migratórios com a hispanofonia, a nossa história, cultura e habilidades linguísticas torna-nos um pólo privilegiado para a consolidação e criação de novas relações econômicas”. Assim, “tanto a nossa língua nacional como aquelas às que estamos ligadas por vínculos históricos e culturais (nomeadamente o espanhol e o inglês) são pontes firmes para a consolidação do potencial internacional da Galiza”.

A proposta completa do programa está disponível em-linha junto com uma plataforma colaborativa digital “PT 2.0.” que, sustentada em tecnologia “wiki”, fará possível com que qualquer usuário de Internet, independentemente da sua relação com o partido, possa realizar diretamente sobre o texto da proposta as modificações ou acréscimos que considere oportunos. A plataforma ficará operativa até 21 de março, sendo que a versão final do programa será ratificada na Assembleia Geral que o Partido da Terra irá celebrar em 25 de março.

 

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