Antuérpia: Colóquio Internacional sobre Mia Couto
Mia Couto é reconhecido como inventor de uma escrita literária muito particular
Segunda, 22 Março 2010 00:00
PGL Portugal – Na cidade de Antuérpia, na Bélgica, celebrar-se-á um colóquio internacional em redor da figura do escritor Moçambicano Mia Couto, um dos escritores da lusofonia africana mais conhecido polos leitores europeus.
Contando com a presença de vários especialistas na obra do autor moçambicano (Alberto Carvalho, Ana Mafalda Leite, Ana Maria Martinho ou David Brookshaw, entre outros), o colóquio pretende ser um espaço alargado de reflexão sobre a especificidade da obra de Mia Couto e um momento de debate sobre as questões relacionadas com a tradução literária, especialmente no caso deste autor, reconhecido como inventor de uma escrita literária muito particular.
O colóquio, que é organizado pelo Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões, na pessoa do seu responsável, José Nobre da Silveira, e pelo Departamento de Português do Instituto Superior de Tradutores e Intérpretes (ISTI) de Antuérpia (Bélgica), coordenado pela professora Anne Quataert, prevê duas vertentes, segundo os seus promotores.
A primeira «será centrada na análise da obra do autor», em que se pretende abordar temas como o trabalho/o jogo com a linguagem na obra de Mia Couto, bem como o seu processo narrativo, a literatura e a constituição de uma identidade (linguística, cultural e/ou política) moçambicana e a tradução, a divulgação e a internacionalização da obra do escritor moçambicano.
A segunda será dedicada à tradução da obra de Mia Couto. Nomeadamente, será abordada a questão de «como é que os tradutores resolvem os problemas relativos à linguagem inovadora de Mia Couto: neologismos, jogos de palavras, sintaxe, referências específicas do universo moçambicano e lusófono».
O evento surge na linha de uma já longa tradição do Departamento de Português do ISTI de Antuérpia de organizar colóquios internacionais e jornadas de investigação em torno de escritores como José Saramago, José Eduardo Augualusa, Lídia Jorge, Teolinda Gersão e Luísa Costa Gomes, e de outros autores lusófonos traduzidos nas três línguas nacionais belgas – neerlandês, francês e alemão –, assim como nos outros idiomas ensinados no Instituto – inglês, espanhol, dinamarquês e russo.
A escolha de Mia Couto deveu-se ao facto de ser um dos escritores africanos mais conhecido junto dos leitores europeus, mas também visou assinalar a presidência portuguesa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), ainda em curso.
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